terça-feira, junho 25, 2013

20 centarros

Ressonância da Resistência ou Cultura de Protesto? Está realmente tudo conectado ou estamos catando souvenirs da História? Meus 20 centarros

Na home do Occupy Wall Street chamam de "ressonância da resistência" e já enxergam uma guerra de classes global (http://occupywallst.org/).

Há a questão já levantada da Cultura do Protesto (primeiro as flash mobs de guerras de travesseiros, agora os flash protesters globais, envolvidos talvez por free hugs for all), linkada um pouco ao que Antonio Prata na folha já rabiscou tentando digerir a salada russa brasileira: "(...) Ou a própria passeata extingue o impulso de revolta que a criou e voltamos todos para o mundinho idêntico de todos os dias, com a sensação apaziguadora de que "fiz a minha parte"?"

A propaganda agora não é mais a propaganda, ela somos nós aqui no FB, que com um milhão de curtidas transformamos tudo em verdade, fato, fé (e muitas vezes foda-se). Esta agora a propaganda que nos urge acreditar que tudo está conectado (não são só os entusiastas de uma nova consciência democrática global que defendem tal visão - Comerciais de carro e celular também), e é mais difícil e condenável (racismo digital?) hoje não se massificar, a curtir e sentir-se parte, do que o era antes resistir a antiga propaganda (e aí toda a velha conversa sobre o homem como gado, massa e seus conhecidos efeitos ampliados pelos efeitos inebriantes de wifi sem gelo).

Seria a novidade em si a maior novidade?

Confesso que meu problema foi mesmo ter começado a ler o Antifragile do Nassin Taleb no meio disso tudo... Não ajuda em nada a crer em algo tão linear e sólido como o propalado conceito de momento histórico, do despertar do gigante - Cacete, já não tínhamos concordado outro dia que o gigante já tinha acordado (mais uma vez)?http://adsoftheworld.com/media/tv/johnnie_walker_keep_walking_brazil

E quer queiramos ou não, o gigante foi, é e sempre será o que somos. Parte do tempo acordados, parte dormindo, ficamos de porre (e ressaca), bocejamos e festejamos, depois sacodimos a poeira e damos a volta por onde quer que queiramos. Se não somos arianos no dia-a-dia, e o gigante somos nós, o gigante só será impecável (louro de olhos azuis alguém?) na medida que o formos. Afinal se o país somos nós todos juntos, a contradição, a não-linearidade a a complexidade dessa massa continental e humana jamais obedecerá na marra ao slogan da bandeira (que talvez seria até mais interessante só com as cores e as estrelas).

Cacete, joga aí no caldeirão também essa loucura toda que as novas ferramentas causam, ou sou só eu sentindo uma ânsia no ar de se poder dizer "fiz História, fiz parte da História", preocupando-se imensamente em criar imagens pessoais de conexão com o que quer que esteja trending today. Muitos pracinhas voltaram para o Brasil da Segunda Guerra com seus souvenirs da História: Insígnias arrancadas de uniformes alemães, postais dos líderes do eixo enforcados.

Mas isso no fim da guerra - Enquanto estavam em combate não paravam para tirar uma foto e postar para os amigos... Por mais sedutora que seja a ideia, não somos nós quem decidimos o que é História, postando tudo loucamente (cacete, não existe posteridade em nada disso afinal de contas, já que hoje se vive 50 anos em cinco em termos de tecnologia e todo o circo de redes sociais de hoje já está sendo substituído diante de nossos olhos).

Quando as bandeiras forem enroladas, temos que encarar uma nova rotina de uma nova atitude permanente se quisermos ir além das listas de demandas ao Estado postadas ad infinitum. Para manter o gigante alerta, barbeado, sóbrio e na linha, não podemos mais cochilar e esperar o próximo momento Histórico em alguns anos.

(putz esse cara tem mais de 30, claramente!) Poderíamos então combinar de fazer disso tudo só um processo que começa com o arroubo (!) da paixão mas que terá que seguir focado, consistente com ações individuais, de longo prazo, engajamento prático mesmo que nas velhas formas conhecidas de organização (associações, grupos de trabalho, acompanhamento parlamentar, ações de melhoria comunitárias, propostas de reforma política, tributária, social, ONGs (as sérias) e o escambau) (falei que era um velho escrevendo?)

Pô, isso só vira História se combinarmos, cada um, de continuar dando seus 20 centavos. Todo dia - Como faz o trabalhador que toma o ônibus lotado - Mesmo sem ter ninguém olhando.

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